Eli Lilly: novo remédio para obesidade reduz 28% do peso – 22/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

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A Eli Lilly afirmou nesta quinta-feira (21) que a retatrutida, medicamento experimental contra a obesidade, ajudou pacientes a perder mais de 28% do peso corporal ao longo de um ano e meio em um estudo. A empresa pode, então, buscar aprovação regulatória e lançar a droga em 2027.

Os resultados ficaram alinhados às expectativas de Wall Street e podem tornar a retatrutida o remédio para perda de peso mais potente do crescente mercado de tratamentos contra obesidade, no qual a Lilly compete com a Novo Nordisk.

Analistas haviam levantado preocupações sobre os efeitos colaterais do medicamento depois que dados preliminares mostraram que pacientes apresentaram disestesia, uma sensação anormal e rara na pele.

Os dados mais recentes pareceram aliviar parte dessas preocupações, com redução de pacientes relatando disestesia.

Em estudo de fase 3 com pacientes obesos, mas sem diabetes, aqueles que receberam a dose mais alta de 12 miligramas de retatrutida perderam, em média, 28,3% do peso ao longo de 80 semanas. Mais de 45% dos participantes perderam ao menos 30% do peso —um nível de eficácia que, segundo a empresa, rivaliza com a cirurgia bariátrica.

Ainda resta a última fase de pesquisa, que compara o novo medicamento com tratamentos existentes e amplia a análise de segurança, além da aprovação por agências reguladoras e a farmacovigilância.

Kenneth Custer, presidente de saúde cardiometabólica da Eli Lilly, afirmou que a empresa espera lançar o medicamento no próximo ano.

A enzima é agonista dos receptores GLP-1, GIP e glucagon, sendo mais potente do que os medicamentos disponíveis no mercado hoje, como a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro).

O Mounjaro e o Wegovy mostraram perdas de peso de cerca de 15% a 20% em diferentes estudos. O remédio oral da Lilly para obesidade apresentou perda de 11% do peso.

Segurança

No estudo, casos de disestesia ocorreram em 12,5% dos pacientes que receberam a dose de 12 mg, em comparação com 20,9% dos pacientes na dose mais alta observada nos resultados divulgados em dezembro. Cerca de 11% dos pacientes na dose máxima interromperam o tratamento devido a eventos adversos.

Questionado sobre os efeitos colaterais, Custer afirmou que o perfil do medicamento foi consistente com outros remédios da classe GLP-1.

Em um estudo anterior publicado em dezembro, a retatrutida ajudou pacientes com obesidade e osteoartrite no joelho a perder, em média, 28,7% do peso ao longo de 40 semanas. O medicamento também reduziu dores no joelho. Em março, a Lilly afirmou que outro estudo mostrou que o medicamento ajudou a reduzir os níveis de açúcar no sangue e proporcionou perda média de 15,3% do peso corporal.

A Lilly afirmou que pacientes que continuaram o tratamento por dois anos completos no estudo mais recente perderam pouco mais de 30% do peso corporal, em média.

Uso indevido

No início deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a apreensão e proibição de todos os produtos com o princípio ativo após relatos nas redes sociais do uso de retatrutida sem aprovação em qualquer país.

O FDA (órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos) declarou que a retatrutida não podem ser usada em manipulação farmacêutica e não está aprovada. Já o EMA (órgão regulador europeu), também não aprovou a comercialização da substância e emitiu um alerta relacionado ao uso de canetas emagrecedoras vendidas de forma ilegal.

À Folha, o endocrinologista Alexandre Hohl, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) chamou a venda em mercado clandestino e uso de um medicamento ainda em fase de estudos de atrocidade científica. Apesar de os resultados preliminares apresentarem um possível benefício, o risco também é aumentado e ainda desconhecido, já que as pesquisas devem continuar.

Colaborou Giulia Peruzzo



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