O dólar abriu em leve queda nesta terça-feira (27) com os investidores preocupados com a violação do cessar-fogo no Oriente Médio com os ataques dos EUA à província de Hormozgan, no sul do Irã, que põe em risco um acordo de paz entre os países.
Às 9h08, a moeda norte-americana caía 0,13%, cotada a R$ 5,0126. Na segunda, o dólar fechou em queda de 0,17%, cotado a R$ 5,019, e a Bolsa subiu 0,91%, a 177.815 pontos.
A sessão, de liquidez reduzida por conta do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos, foi marcada pelo otimismo em relação a um possível acordo de paz entre Irã e Estados Unidos.
“Temos uma proposta bastante consistente [para abrir o estreito de Hormuz]”, declarou Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, em reunião em Nova Déli.
“[A proposta] conta com muito apoio no Golfo…Todos os países com quem temos debatido entendem que não é só uma proposta muito razoável e que é o correto para o mundo.”
O vaivém nebuloso das negociações colocou o mercado em estado de alerta para quaisquer sinalizações mais contundentes sobre o possível acordo.
“Os humores parecem estar virando com as notícias em relação à possível trégua que está sendo costurada, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.
“Essa perspectiva fez com que os mercados se animassem, com o petróleo em queda acentuada e afetando a Petrobras, caindo mais de 2%. Essas perdas da Petrobras limitaram os ganhos do Ibovespa dado o peso que ela tem no índice. Não fosse por ela, o Ibovespa provavelmente teria subido mais de 1,5%, quase 2%.”
A previsão de que um acordo está prestes a ser firmado, porém, foi posta em dúvida pelos iranianos. “É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão… mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, comentou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
Ele reiterou que o país não abre mão de manter o controle sobre o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, com a cobrança de taxas, o que é rechaçado pelos norte-americanos.
“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Hormuz, do golfo Pérsico e do mar de Omã exigem a cobrança de certas taxas”, disse o porta-voz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo (24) que o bloqueio norte-americano no estreito de Hormuz continuaria em vigor enquanto um acordo não fosse “alcançado, certificado e assinado”.
Horas depois, na manhã desta segunda, Trump voltou a subir o tom ao estipular limites para a negociação no Oriente Médio. “O acordo com o Irã será grande e significativo, ou não haverá acordo”, escreveu na sua rede social Truth Social.
Ainda que o cenário permaneça incerto, os investidores têm demonstrado otimismo. “O mercado passou a comprar com mais convicção a tese de descompressão geopolítica após novas sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para reabertura do Estreito de Hormuz e ampliação do cessar-fogo”, afirmou o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora.
Segundo o analista, apesar de pontos centrais do acordo continuarem indefinidos, o mercado parece disposto a operar a direção do fluxo antes da confirmação formal do acordo, reduzindo prêmios de risco em petróleo e inflação global.
Folha Mercado
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Nesse contexto, o preço do petróleo Brent chegou a despencar 6% na segunda, chegando a US$ 94,10, o valor mais baixo desde 22 de abril, quando atingiu US$ 91,42.
A pressão sobre as cotações do petróleo aumenta as incertezas sobre as cadeias globais de insumos, que podem forçar um repique inflacionário global e, por consequência, a manutenção das taxas de juros de algumas das principais economias do mundo em patamar restritivo.
O conflito já tem afetado as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. Em abril, o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, citando incertezas com a guerra. No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.




