Alunos da USP (Universidade de São Paulo) ocuparam a reitoria da instituição nesta quinta-feira (7). Eles tentam convencer a gestão Aluisio Segurado a retomar as negociações para o fim da greve, encerradas unilateralmente no início da semana.
Por volta das 16h, o portão do prédio foi derrubado. A Polícia Militar foi acionada.
Desde as primeiras horas da manhã, os estudantes bloqueavam a entrada da reitoria. O cordão em frente ao edifício, na Cidade Universitária, zona oeste paulistana, começou a ser formado por volta das 5h.
Os grevistas também convocaram um protesto para o local, a partir das 14h. Foi quando a tensão aumentou. Sem resposta da universidade, os discentes resolveram invadir as salas. Eles pularam o gradil para chegar ao acesso do prédio, que estava trancado e foi tombado aos chutes.
O movimento estudantil diz que não consegue contatar a reitoria desde a última semana.
“A nossa ação é um pedido justo e legítimo frente à intransigência da reitoria que unilateralmente fechou a mesa de negociação, sem o acordo não apenas dos negociadores mas sobretudo da grande maioria dos cursos que seguem em greve em mais de três semanas. O que pedimos não é nada demais: queremos a reabertura da mesa de negociação. A nossa reivindicação é justa e precisa ser atendida”, afirmou em nota o DCE (Diretório Central dos Estudantes).
A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da instituição repudia os atos, chamados de “vandalismo”. Tais ações, diz, são “incompatíveis com os princípios que regem o ambiente acadêmico, fundamentado no diálogo, no respeito e na convivência democrática”. Já o DCE diz que a ocupação é pacífica e que a acusação do órgão é mentirosa.
Segundo a coordenadora do DCE Livre da USP, Rosa Baptista, a ocupação no prédio da reitoria deve continuar por tempo indeterminado até uma sinalização positiva sobre a retomada das mesas de negociação.
No local, no início da noite, os manifestantes organizam atividades culturais, sem previsão de encerramento —por volta das 20h30, o ato continuava. “A terceira mesa de negociação deveria acontecer na segunda, mas a reitoria anunciou nas redes sociais que estava tudo encerrado”, disse a estudante à Folha. “Estamos pedindo o mínimo da reitoria.”
Para encerrar a paralisação, em sua terceira semana, Segurado formalizou algumas propostas nas últimas semanas. Dentre elas, o reajuste dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) pelo índice IPC-FIPE.
Com a correção, o benefício integral passaria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340.
O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil —incluindo bolsas, moradia, restaurantes e saúde— é de R$ 461 milhões.
A reitoria anunciou ainda a criação de uma modalidade de bolsa voltada a alunos ingressantes em situação de vulnerabilidade.
A instituição também apresentou sugestões sobre os restaurantes universitários. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.
Também foram colocadas ofertas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas para transexuais e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.
Outro serviria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.
Dentre todas as propostas, a das bolsas foi a que menos agradou o movimento estudantil.
Os discentes pedem aumento no valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário mínimo paulista).
Em nota, a reitoria da USP disse “lamentar profundamente a escalada de violência”.
“Diante dessa situação, e respaldada juridicamente, a Universidade adotou as medidas cabíveis, acionando as forças de segurança pública que, já presentes no local, atuam para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais. Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos”, afirma a instituição.
A universidade afirma que vai garantir “que suas unidades de ensino e pesquisa, institutos especializados, museus e órgãos da administração central” mantenham regularmente suas atividades.



