De janeiro a abril deste ano, o estado de São Paulo apresentou um aumento no número de feminicídios e uma diminuição no de latrocínios em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29) pela SSP (Secretaria da Segurança Pública).
Enquanto 82 mulheres foram assassinadas por razões de gênero nos quatro primeiros meses de 2025 no estado, neste ano o número chegou a 107, um aumento de 30,49%. Na estatística divulgada no mês passado, o feminicídio já havia atingido um recorde histórico com aumento de 41% no trimestre deste ano em relação ao anterior.
A lei de feminicídio é de 2015. Casos que antes eram registrados como homicídios comuns agora são corretamente classificados como feminicídio, uma tipificação mais recente que motivou a ampliação dos canais de denúncia.
Se comparado o mês de abril de 2026 ao de 2025, o número é praticamente igual: 20 a 21, respectivamente. O total do quadrimestre ficou alto pelos números dos meses anteriores, quando houve 27 feminicídios em janeiro, 30 em fevereiro e 30 em março.
Em relação ao latrocínio, que é roubo seguido de morte, o estado teve uma queda de 39,22% no somatório de janeiro a abril, passando de 51 no ano passado para 31 neste.
Os dados do mês de abril, no entanto, ficaram no mesmo patamar, com 13 latrocínios em 2025 e 12 em 2026. A queda na estatística ocorreu porque o primeiro trimestre registrou 19 casos este ano contra 38 no anterior. Somente na capital paulista houve uma queda de 37,5% no quadrimestre, passando de 16 casos em 2025 para 10 em 2026.
Em relação a casos de estupro, os dados da SSP mostram que houve um aumento de 30,28% em todo o estado de São Paulo do mês de abril de 2025 (251 casos) em relação ao mesmo mês deste ano (327). Somente na capital paulista, o crescimento foi de 54,39%, passando de 57 em abril do ano passado para 88 neste ano.
No acumulado do quadrimestre, porém, os números tiveram pouca variação. Em todo o estado, houve aumento de 4,74% (de 1181 para 1237). Enquanto isso, na capital houve uma queda de 5,48%, de 292 para 276 no período de um ano para o outro.
A SSP também registrou queda nos casos de homicídio no quadrimestre. No estado, a diminuição foi de 4,23% (de 830 para 797 óbitos). Na capital, foi de 9,55% (de 178 para 161).
Considerando apenas os meses de abril dos dois anos, houve um aumento de 1,56% no estado, passando de 192 mortes para 195 (de 2025 para 2026). Na cidade de São Paulo, porém, caiu 16,67% (de 48 para 40).
Em nota à Folha, a secretaria do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que monitora e enfrenta todas as modalidades criminosas, incluindo os casos de latrocínio e estupro por meio de ações integradas de inteligência, investigação, policiamento ostensivo e atendimento especializado às vítimas.
“As reduções ocorrem em meio ao reforço das ações conjuntas das polícias Civil e Militar, com intensificação do policiamento ostensivo, operações contra quadrilhas e organizações criminosas, ampliação das investigações e retirada de armas ilegais de circulação. Somente na capital, 951 armas foram apreendidas e mais de 15 mil criminosos foram presos ou apreendidos pelas forças de segurança no período”, destacou a pasta.
Em relação aos crimes sexuais e feminicídios, a SSP diz que todas as ocorrências são investigadas e que o enfrentamento à violência contra mulheres, crianças e adolescentes é prioridade da atual gestão. A secretaria afirma que o estado tem ampliado canais de denúncia, acolhimento especializado e medidas de proteção às vítimas. Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher, 220 Salas DDM para atendimento remoto e mais de 650 policiais especializados. Também foram implantadas Salas Lilás em unidades do Instituto Médico Legal para atendimento humanizado às vítimas.
“Entre as medidas recentes, o Governo de São Paulo lançou a Patrulha SP Mulher Segura, da Polícia Militar, que contará com 101 viaturas exclusivas em diversos municípios até o fim de 2026, além da criação de 40 Espaços Lilás em unidades da PM. O aplicativo SP Mulher Segura soma 64 mil usuárias, mais de 2.500 boletins de ocorrência registrados e 16,6 mil acionamentos do botão do pânico desde 2024″, finalizou a SSP.




