Ações da Raízen despencam até 21% – 28/05/2026 – Economia

Ações da Raízen despencam até 21% - 28/05/2026 - Economia

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As ações da Raízen despencaram nesta quinta-feira (28), após a empresa divulgar detalhes do plano de recuperação extrajudicial apresentado aos credores nas negociações para reestruturação da dívida.

Os papéis da joint venture entre Cosan e Shell encerraram o dia em baixa de 19,04%, cotados a R$ 0,34. Na mínima do dia, chegaram a cair 21,43%, a R$ 0,33.

A reação negativa do mercado ocorreu após reestruturação prever a conversão de 45% da dívida da companhia em ações precificadas a R$ 0,25 por papel —valor cerca de 40% inferior ao fechamento de quarta-feira (27).

Procurada, a Raízen não quis comentar.

“Isso representa um valor bem abaixo do preço de mercado e implica uma diluição muito pesada para os atuais acionistas”, afirma Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o mercado já esperava algum nível de conversão da dívida em ações, mas o valor surpreendeu.

“A expectativa era de que o preço respeitasse algo mais próximo do valor de mercado —talvez até um pouco acima— especialmente para quem permaneceu posicionado com o papel da Raízen”, afirma.

A proposta prevê a separação das operações da companhia em duas empresas distintas: Raízen Combustíveis, focada na distribuição e comercialização de combustíveis sob a marca Shell no Brasil, e Raízen Energia, direcionada ao processamento de cana de açúcar para produção de etanol e geração de energia elétrica.

Para Júlio Moretti, CEO da Neot, startup focada em recuperação judicial e falências, a proposta de dividir o negócio em dois gera estranheza. “Isso pode soar ao mercado como uma ‘separação à vista’ entre Cosan e Shell, o que fragilizaria bastante a perspectiva de recuperação da empresa”.

O plano de recuperação extrajudicial apresentou três opções para renegociação de dívida aos credores da da empresa. O montante devido totaliza R$ 75,35 bilhões. Desse total, R$ 65,4 bilhões estão incluídos no processo de reestruturação.

A primeira opção de renegociação inclui a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações a R$ 0,25 por papel, com os credores recebendo ações ordinárias e preferenciais. Os 55% restantes seriam divididos em novas dívidas de Raízen Combustíveis e Raízen Energia, com prazos entre 2032 e 2035.

Na segunda alternativa, o credor aceitaria um desconto de 80% do valor da dívida. O pagamento dos 20% restantes ocorreria em uma única parcela em 31 de março de 2047.

Já na terceira opção, o credor receberia em dinheiro o equivalente ao menor valor entre 75% do crédito devido e R$ 9.750. O pagamento em espécie estará limitado a R$ 150 milhões no total, o equivalente a cerca de R$ 200 milhões em créditos elegíveis.

“O principal ponto para acompanhar agora é se a proposta realmente vai avançar. Existem duas peças sensíveis nesse processo: o aporte de Rubens Ometto, que ainda está em aberto, e a injeção de recursos da Shell”, diz Trotta.

Segundo o plano, a Shell se comprometeria a aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Investimentos, holding ligada a Rubens Ometto (fundador da Cosan), poderá adicionar mais R$ 500 milhões.

Credores, contudo, solicitam que Ometto seja substituído como presidente do conselho da Raízen, ecoando uma proposta anterior dos detentores de títulos.

A atual administração seria mantida durante o processo de reestruturação, mas os credores passariam a exercer supervisão sobre a companhia, com poder de veto limitado a temas considerados relevantes.

Caso a renegociação seja aprovada, haverá mudança significativa na composição do conselho de administração. O novo colegiado teria sete membros, dos quais quatro seriam indicados pelos credores —incluindo o presidente do colegiado— e três pelos atuais acionistas.

Para valer, o plano precisa ser aprovado por metade mais um dos credores sujeitos à recuperação extrajudicial. “Os termos apresentados estão sujeitos a alterações materiais no curso das negociações, à obtenção das aprovações necessárias e à execução de documentos definitivos por todas as partes envolvidas”, afirma a Raízen no documento.

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