1º motor de térmica com etanol começa a funcionar em junho – 28/05/2026 – Economia

1º motor de térmica com etanol começa a funcionar em junho - 28/05/2026 - Economia

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A poluição ligada às termelétricas, que normalmente queimam combustíveis fósseis para gerar energia, pode estar com os dias contados. A usina térmica Suape 2, instalada a 40 quilômetros do Recife, deve iniciar em junho os testes de um motor abastecido com uma mistura de 97% de etanol e 3% de biodiesel.

O projeto custou R$ 60 milhões e foi desenvolvido pela Suape Energia em parceria com a empresa finlandesa Wärtsilä. A tecnologia é considerada inédita no mundo e pretende ser um primeiro passo para reduzir a contribuição do setor para as mudanças climáticas.

Adriano Marcolino, gerente de desenvolvimento de negócios da Wärtsilä, diz que uma usina movida a etanol emitiria 80% menos gases do efeito estufa do que uma planta abastecida com óleo combustível, com reduções significativas em dióxido de enxofre, óxido nitroso e material particulado.

A inovação também ajudaria a fortalecer a resiliência do sistema elétrico nos momentos em que não há geração de energia solar e eólica. O governo federal decidiu contratar termelétricas para garantir o abastecimento, mas às custas de mais emissão de carbono.

“Para suprir a intermitência das fontes renováveis, uma usina a etanol vem com uma complementaridade perfeita”, diz Marcolino.

O motor tem 4 MW de potência e já está na usina, onde passará por 4.000 horas de testes de desempenho e eficiência. Nessa fase, o equipamento poderá gerar energia suficiente para abastecer 16,5 mil residências e consumirá cerca de 6 milhões de litros de combustível.

Estimativas da Wärtsilä indicam que parte da reserva técnica das empresas brasileiras produtoras de etanol seria suficiente para atender à demanda nos períodos em que é necessário ativar as térmicas. “Você não teria que plantar mais ou tirar terra de outras produções de alimento”, afirma Marcolino.

A UTE Suape 2 funciona desde 2012 em Cabo de Santo Agostinho (PE) e conta com 17 motores movidos a óleo combustível. A potência total instalada é de 381 MW, sem contar o novo equipamento.

José Faustino, diretor técnico da Suape Energia, afirma que a usina será um laboratório de testes da tecnologia. “Nos aquece o coração essa transformação”, diz. “Esse vai ser o futuro.”

A empresa afirma ter a meta de expandir a geração com etanol para 600 MW nos próximos anos, o que poderia abastecer cerca de 2,4 milhões de residências.

No momento, a usina só produz energia quando é acionada e está contratada para operar até o final de 2026. A Savana Holding detém 80% da Suape Energia, e os outros 20% pertencem à Petrobras.

“A Wärtsilä apresentou alguns projetos de combustíveis renováveis, como metanol, hidrogênio e outros alternativos, e nós colocamos na mesa: por que não fazer o teste com o etanol brasileiro?”, afirma o diretor.

De acordo com Faustino, a eficiência térmica do motor foi calculada em 42%, ainda no ambiente experimental. Em comparação, um motor a óleo combustível tem eficiência de 46%, diz.

O transporte do etanol é mais simples e depende apenas de caminhões, sem a necessidade de dutos, o que permitiria a construção de usinas no interior do país. Outro benefício seria a possibilidade de estocar o combustível nas usinas –algo também possível no caso do gás, mas com instalações complexas.

“Colocar pequenas centrais a etanol perto da carga vai ajudar muito o Operador Nacional do Sistema Elétrico a desafogar os grandes centros em linha de transmissão”, afirma Marcolino.

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