João Fonseca foi direto na avaliação da própria estreia no torneio de Roland Garros. “Não estou feliz com meu nível total na partida”, disse o carioca de 19 anos após superar o francês Luka Pavlovic (240º) por 7/6, 6/4 e 6/2, neste domingo (24), em 2h14. “Mas estou feliz com a forma como eu lutei e com a forma como eu terminei.”
A partida foi disputada na quadra Simonne-Mathieu —terceira maior arena do complexo de Roland Garros—, lotada e com a maioria do público torcendo pelo francês, sob calor intenso: 31°C em Paris e temperatura ainda mais alta na quadra.
O primeiro set foi o mais equilibrado. Fonseca oscilou nos momentos iniciais, chegou a demonstrar irritação ao jogar uma bola para fora do estádio —gesto que rendeu vaias da torcida francesa—, mas fechou a parcial por 8/6. Para o brasileiro, foi o momento decisivo da partida. “O primeiro set mudou boa parte do jogo. Pelo fato de ele não ter conseguido agarrar a oportunidade que teve ali, ele ficou um pouco mais nervoso. E eu consegui me soltar e jogar no meu melhor nível.”
Desta vez, segundo Fonseca, a torcida brasileira pareceu atender ao pedido que fez após o Masters 1000 de Roma —quando criticou o barulho excessivo dos compatriotas durante os saques. “Acho que as duas torcidas se comportaram bem, tanto os franceses quanto os brasileiros torcendo pelos seus jogadores. Teve mais tranquilidade, sem desrespeito. Foi uma boa vibe na partida”, avaliou.
Pavlovic também teve seu momento de frustração e jogou a bola para cima após um erro. Na segunda metade do segundo set, o francês caiu muito de rendimento, acumulando erros não forçados, e Fonseca soube aproveitar para fechar a parcial em 6/4 e o terceiro set em 6/2.
Na segunda rodada, o brasileiro vai enfrentar na quarta-feira (27) o croata Dino Prizmic, 72º do ranking e de 20 anos. O adversário, que derrotou Novak Djokovic nesta temporada, chega em boa forma no saibro, segundo o brasileiro. “É um jogador muito bom, tem um ótimo nível de tênis e está jogando bem nessa sequência de saibro. Sempre achei ele um belíssimo jogador —bom saque, devolução, muito intenso. Vai ser com certeza uma partida difícil”, disse Fonseca.
Bia Haddad toma virada, passa mal em quadra e cai na estreia
Na chave feminina, o que parecia ser uma estreia tranquila para Beatriz Haddad Maia em Roland Garros terminou em eliminação. A paulistana de 29 anos venceu o primeiro set com facilidade, passou mal durante a partida e acabou derrotada pela britânica Francesca Jones por 1/6, 7/6 (4) e 6/2, neste domingo (24), na quadra 14 do complexo parisiense. A partida durou 2h42 sob calor intenso.
Jones, 105ª do ranking da WTA, avançou à segunda rodada. Para Bia, 78ª do mundo, é a quinta derrota consecutiva no circuito e mais uma eliminação precoce em Paris. Em 2023, chegou à semifinal.
Após o jogo, Bia disse que passou mal durante a partida. “Confesso que a minha cabeça desconcentrou um pouco. Passei um pouco mal durante o jogo também”, disse. “Tentei não colocar isso na minha cabeça, tentei continuar jogando. Sei o quanto o estresse do jogo também te proporciona situações desconfortáveis.” Segundo ela, o desconforto foi uma mistura de fatores —tensão, adrenalina e o calor. “Estava quente para as duas. A situação não estava fácil para ninguém.”
A brasileira afirmou que, apesar de seu domínio do primeiro set, seu desempenho a frustrou. “Eu comecei melhor que ela, mas acho que não joguei o melhor tênis. Muitos pontos que eu ganhei ainda foram erros dela no primeiro set”, avaliou. A virada começou no tie-break do segundo set, quando Bia abria 4/2 e parecia encaminhada para a vitória, mas cedeu cinco pontos seguidos e perdeu por 7/4. No terceiro set, Jones dominou: 6/2.
A brasileira também reconheceu que as mudanças acumuladas nos últimos meses —de técnico, comissão e trabalho mental— ainda afetam seu desempenho dentro de quadra. “São muitas coisas e às vezes tem muita resposta a dar para muita gente. No final, é uma questão de tempo”, disse. “Tenho que dar confiança, trabalho e especialmente confiar no trabalho do Carlos”, referindo-se ao técnico espanhol Carlos Martinez Comet.
Bia fez elogios à adversária, que convive com a síndrome de displasia ectodérmica —condição que fez com que ela nascesse sem dois dedos das mãos e três dos pés. “As pessoas não têm ideia do quanto essa pessoa é forte, do quanto ela é guerreira. A história dela é muito bonita”, disse. “Tem algumas jogadoras do circuito que marcam muito pelo caráter, pelos valores. Ela mostra uma força que às vezes a gente acha que não tem.”
Ao sair de quadra, a brasileira se emocionou com o apoio da torcida. “Fiquei emocionada ali no final. Estava muito triste por causa do jogo, mas tenho um carinho muito grande pelas pessoas que torcem por mim e que ainda continuam torcendo mesmo quando você não está no melhor momento”, disse. “Quando termino o jogo, às vezes escuto uma pessoa que se inspira na minha história. Isso me deixa muito feliz.”
Na pior posição no ranking desde 2020, Bia afirmou seguir em busca da reação. “Vou continuar trabalhando como sempre fiz desde pequenininha. Comecei a jogar tênis porque amo jogar tênis, e o meu amor pelo esporte não mudou nada.”




