Um protesto de estudantes das universidades estaduais de São Paulo foi interrompido após uma confusão com vereadores nesta segunda-feira (11).
Alunos da USP, Unesp e Unicamp se aglomeraram em frente ao prédio onde ocorreria uma reunião do conselho dos reitores das instituições, o Cruesp. O encontro, porém, havia sido cancelado ainda pela manhã.
Pouco antes das 14h30, Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil, chegaram ao protesto, na República, centro de São Paulo. Pouco depois, começou um confronto. Rubinho agrediu e apanhou de estudantes. Ele disse à reportagem que teve seu nariz quebrado.
Rubinho nega que tenha iniciado as provocações. “Estava conversando no local, porém os estudantes começaram a agredir com chutes, socos, canos e até um cone foi arremessado”, declarou.
A polícia interveio na confusão com gás de pimenta. Após viaturas cercarem o ato, os alunos iniciaram caminhada, seguindo em direção à avenida Paulista e, por volta das 17h30, se estabeleceram no jardim da Faculdade de Saúde Pública da USP, em Cerqueira César.
Depois, os grevistas rumaram para uma assembleia na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), na Cidade Universitária, no Butantã.
O ato desta segunda marca o aumento da mobilização dos estudantes das estaduais paulistas. Iniciada na USP, a greve por mais investimentos em permanência e alimentação nas instituições já alcançou a Unicamp e a Unesp.
Na USP, os alunos em greve invadiram a reitoria e foram retirados pela Polícia Militar no domingo (11), após três dias. Na ação, de madrugada, cerca de 50 agentes realizaram uma operação para retirar 150 alunos do saguão do prédio administrativo. Cinco alunos foram hospitalizados, e quatro, detidos.
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) diz investigar possíveis excessos. A USP afirmou não ter sido avisada sobre a operação da PM e repudiou o ato.
A greve teve início em 14 de abril, impulsionada pelo apoio dos estudantes à paralisação dos servidores, que protestavam contra uma gratificação mensal de R$ 4.500 concedida aos docentes sem contrapartida equivalente para as demais categorias.
Os trabalhadores encerraram o movimento após acordo com a reitoria, mas os discentes seguiram mobilizados.
Os alunos pedem melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas integrais do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário mínimo paulista), e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.
Já a reitoria oferece o reajuste dos auxílios pelo índice IPC-Fipe. Com a correção, o auxílio integral passaria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340.
O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil —incluindo bolsas, moradia, restaurantes e saúde— é de R$ 461 milhões.
Adesão à greve aumenta no estado
Na Unicamp, a greve chegou, por enquanto, a todo o campus de Limeira, que oferece graduações focadas em gestão, engenharias e saúde pela Faculdade de Ciências Aplicadas e Faculdade de Tecnologia. Os cursos incluem administração, engenharia de manufatura, nutrição, ciências do esporte e tecnologias em análise e desenvolvimento de sistemas.
Também pararam, em Campinas, arquitetura, biologia, artes cênicas, música, artes visuais, dança, midialogia e engenharia de alimentos.
Outras assembleias ocorrem nesta semana.
Na Unesp, mais capilarizada das universidades do estado, com presença em 24 cidades, há alunos paralisados nas maiores delas: Franca, Bauru e Assis.
O movimento na USP, que vinha perdendo força, voltou a ganhar adesão a partir da ação da PM na reitoria.
À tarde, na Unesp, a reitoria se reuniu com o Fórum das Seis, entidade que reúne representantes de docentes, servidores e estudantes das três universidades públicas paulistas. Foram discutidas pautas que serão levadas aos reitores da USP e da Unicamp no próximo encontro do Cruesp, ainda sem data definida.




