Fonseca explica evolução após avançar em Roland Garros – 31/05/2026 – Esporte

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A mentalidade. É essa a palavra que João Fonseca mais repete quando tenta explicar o que mudou nele desde o início da temporada. Na madrugada parisiense desta segunda-feira (1º), após derrotar o norueguês Casper Ruud e garantir vaga nas quartas de Roland Garros, o carioca de 19 anos foi direto na entrevista à imprensa: “A mentalidade melhorou muito. Focar nos pontos e não no final da partida. Acho que algumas coisas mudaram.”

A evolução não é abstrata. Ele tem exemplos concretos. No jogo contra Djokovic, quando estava perdendo por 0 a 2 em sets e a derrota parecia certa, entrou no que descreve como “modo automático”. “Não pensava no final. Eu só ia ponto a ponto, pensava no que eu tinha que fazer com cada bola. Os aces que dei no final da partida contra o Djokovic foram muito de sem pensar —eu só ia lá, explodia na bola e as coisas aconteceram.”

O jogo contra Ruud, segundo ele, foi diferente —mais seguro, menos dramático. “Entrei mais agressivo, fui para os golpes, tentei comandar os pontos logo cedo. Fico feliz de ter levado a melhor nos momentos importantes.” Fonseca reconheceu que a partida desta noite foi mais tranquila que o duelo com Djokovic —não só pelo placar, mas pela sensação interna. “Contra o Djokovic foi mais mental. As condições eram muito mais difíceis e eu comecei respeitando demais. Hoje entrei com mais confiança. O jogo era muito xadrez —eu sabia exatamente o que fazer, só era muito difícil de executar.”

A força que impressionou os presentes —forehands que atravessam a quadra, backhand pesado, drop shots inesperados— tem origem simples, segundo ele. “Desde pequeno eu joguei assim, sempre fui para os golpes. Às vezes a bola vai para a cerca, às vezes perco pontos importantes por isso. Mas eu tento ser confiante e isso me impulsiona.”

Sobre o terceiro set perdido, quando Ruud reagiu e empatou a partida, Fonseca foi honesto. “Ali deu uma caída no último game, mas consegui reverter muito bem no quarto. Estou feliz por causa disso.”

Sobre as condições físicas —sua primeira segunda semana em um Grand Slam—, não escondeu o cansaço, mas transmitiu tranquilidade. “É diferente. Sair do vestiário e ser um dos últimos ainda no torneio é uma loucura. Mas estou bem, me recuperando bem nos dias de folga.” Reconheceu que a temporada foi longa —fora de casa desde Monte Carlo—, mas que a preparação física intensa no fim do ano passado está fazendo diferença. “A pré-temporada em dezembro foi muito pesada. Na Austrália eu estava sem ritmo nenhum, mas muita coisa mudou desde então.”

Nas quartas, o adversário será o tcheco Jakub Mensik, 27º do mundo. Os dois já se enfrentaram no Next Gen ATP Finals de 2024. “Foi uma partida muito dura. O Mensik é um ótimo sacador, tem uma esquerda muito boa no saibro, é muito completo. Vai ser uma partida dura.” A estratégia, por ora, fica para depois. “Hoje é só desfrutar da vitória. Amanhã já foco no próximo jogo.”

E sobre o momento que vive —nas quartas de um Grand Slam pela primeira vez, com Guga na arquibancada—, Fonseca resumiu com a simplicidade de quem ainda está processando tudo. “Ter o Guga ali, apoiando e torcendo, foi incrível. É só ir vivendo o momento.”



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