Aprender com e sobre IA: o caminho para as escolas – 21/05/2026 – Educação

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Como a inteligência artificial deve aterrissar nas escolas? Longe das visões extremas, que costumam transitar entre o deslumbramento e o pavor das tecnologias digitais, as discussões sobre o tema no Brasil caminham para uma abordagem interessante ao reconhecer o letramento em IA como algo muito além do domínio técnico ou operacional de ferramentas digitais.

Há pouco mais de um mês, o MEC (Ministério da Educação) lançou um documento orientador sobre os caminhos curriculares e as práticas de uso de IA nas escolas brasileiras (“Inteligência Artificial na Educação Básica”), organizado em duas dimensões principais: aprender com IA e aprender sobre IA.

Trata-se de um importante reconhecimento de que a entrada da AI no cotidiano escolar exige não só uma gestão cuidadosa e orientações pedagógicas sólidas, mas também que seja tratada como objeto de conhecimento. O ensino sobre IA deve fazer com que os estudantes compreendam criticamente sua operação, identifiquem as implicações sociais, culturais e ambientais de seu uso e desenvolvam habilidades éticas e reflexivas para atuar em contextos mediados por algoritmos.

Tais orientações alinham-se com a visão de importantes organismos internacionais. Um deles é a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), responsável pelo principal exame comparativo internacional da educação (conhecido como Pisa) e que anunciou recentemente a incorporação do letramento algorítmico em sua matriz avaliativa. A partir de 2029, o Pisa vai avaliar o engajamento crítico dos estudantes com ferramentas digitais e sistemas de IA cada vez mais presentes nos ambientes de produção, participação e interação social.

O foco vai muito além do preparo técnico para o uso de dispositivos e aplicações. A OCDE propõe-se a medir a qualidade das oportunidades educacionais oferecidas aos jovens diante de um ambiente informacional profundamente transformado pela ação de algoritmos.

O novo domínio a ser investigado é o de letramento midiático e em inteligência artificial (“Mail”, na sigla em inglês), o que enfatiza o caráter indissociável desses dois campos. Este é um diagnóstico estruturante da nova matriz: no cenário contemporâneo, o letramento midiático tradicional —entendido como a capacidade de acessar, analisar, avaliar, criar e participar por meio das mídias— permanece conceitualmente válido, mas torna-se defasado se não incluir a compreensão dos sistemas automatizados que geram, classificam e distribuem tais conteúdos, em suas dimensões sociais e técnicas.

Um dos responsáveis pela formulação do exame, o pesquisador do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Pisa Luis Francisco Vargas-Madriz estará no Brasil esta semana para detalhar a iniciativa. Ele participa nesta quinta-feira (21) do 4º Encontro Internacional de Educação Midiática, promovido pelo Instituto Palavra Aberta em São Paulo (com transmissão online).

A conferência será uma ótima oportunidade para discutir como as diretrizes brasileiras conversam com essas e outras abordagens internacionais. E, principalmente, para que professores, gestores e a sociedade em geral reflitam sobre o papel fundamental da educação diante dos novos desafios tecnológicos.



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