Um consórcio liderado pela CVC Capital Partners lançou uma oferta de 10,9 bilhões de euros para fechar o capital da farmacêutica italiana Recordati, em um acordo que reforçaria o controle da especialista em aquisições sobre a empresa e ampliaria sua aposta no mercado de doenças raras.
Os compradores, que incluem o belga Groupe Bruxelles Lambert (GBL) como coinvestidor líder, fizeram uma oferta voluntária em dinheiro de 51,29 de euros por ação, de acordo com comunicado divulgado na sexta-feira.
A oferta, que levaria à saída da Recordati da bolsa de valores de Milão, representa um prêmio de quase 13% em relação ao preço de fechamento das ações em 25 de março, dia em que a CVC apresentou uma manifestação de interesse não vinculante ao conselho da empresa, mas ligeiramente abaixo do preço de fechamento de quinta-feira (21), de 51,70 de euros.
O valor também fica aquém das metas de preço acima de 60 de euros por ação que diversos analistas haviam atribuído à empresa farmacêutica este ano.
As ações da Recordati recuaram para 51,55 de euros nesta sexta-feira (22).
A CVC já é a maior acionista individual da farmacêutica, tendo adquirido a participação controladora da família fundadora em 2018.
Folha Mercado
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“A oferta é respaldada por uma base de acionistas comprometida, flexível e estável, na qual CVC e GBL atuarão como coinvestidores de controle com um compromisso claro de apoiar o desenvolvimento da empresa no longo prazo”, disseram as duas empresas em comunicado conjunto.
Outros membros do consórcio incluem a Abu Dhabi Investment Authority, a canadense CPP Investment Board Private Holdings, a PSP Europe e um fundo ligado ao herdeiro Andrea Recordati.
A Recordati, fundada há um século pelo farmacêutico Giovanni Recordati, tornou-se uma das maiores empresas farmacêuticas da Itália por meio de sua oferta de medicamentos especializados e de atenção primária em áreas como cardiologia, urologia, gastroenterologia e controle da dor.
Mais recentemente, a empresa tem se concentrado cada vez mais em tratamentos para doenças raras, incluindo medicamentos para distúrbios endócrinos e metabólicos.
A CVC e seus coinvestidores provavelmente acelerarão esse avanço em um segmento altamente lucrativo, onde o crescimento pode depender da aquisição de portfólios de medicamentos especializados ou pequenos ativos de biotecnologia, dizem analistas.
A indústria farmacêutica italiana é uma de suas especialidades manufatureiras mais fortes, com centenas de empresas e mais de 130 unidades de produção ativas em todo o país, segundo o grupo setorial Farmindustria.
As exportações farmacêuticas mais que dobraram na última década, chegando a 54 bilhões de euros no ano passado, deixando o setor com um superávit comercial de 21 bilhões de euros, acrescentou a entidade.




