Carlo Ancelotti, o conceituado treinador da seleção brasileira, ostenta no dia a dia um semblante sério. Não é muito amigo do sorriso, pelo menos não em público.
Isso mudou brevemente durante a convocação do Brasil para a Copa do Mundo, neste mês. Antes de anunciar os atacantes, afirmou: “Agora vem o bonito”. E sorriu de leve, sem mostrar os dentes, prestes a elencar os eleitos para o setor, começando por Endrick e terminando em Vinicius Junior.
Voltando um minuto no tempo, ao elencar os defensores, seriedade total. Compreensível não só com o italiano, poderia ser qualquer um a manter a sisudez, posto que a defesa no futebol não é lugar de brincadeira.
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Se fosse diferente, sorriso largo deveria ser aberto na menção dos nomes de Marquinhos, do PSG, e de Gabriel Magalhães, do Arsenal. Pelo nível atual em que se encontram, qualquer técnico, de qualquer clube ou de qualquer seleção, gostaria de tê-los titulares.
Sorte tem Ancelotti de ser o único a poder juntá-los. E o fará, salvo contratempo físico de um e/ou de outro, no Mundial na América do Norte, que começa no próximo dia 11 –o Brasil estreia no dia 13, um sábado, contra Marrocos.
Com Carletto, que assumiu em maio do ano passado, Marquinhos e Magalhães atuaram juntos, devido a impedimento por lesão ou suspensão de um ou outro, somente em duas das dez partidas. Nelas, houve vitórias em que a meta nacional não foi vazada: 3 a 0 no Chile, pelas Eliminatórias da Copa, e 2 a 0 no Senegal, em amistoso.
A segurança recente que a dupla traz para a seleção torna-se manifesta ao se tomar como universo os 18 jogos feitos pelo Brasil depois do fracasso na Copa América de 2024, quando Magalhães começou a ser convocado com constância.
Nas nove partidas em que a dupla M e M esteve lado a lado na zaga (Marquinhos pela direita e Magalhães, canhoto, pela esquerda), a seleção acumulou seis vitórias, dois empates e uma única derrota (o magro 1 a 0 para o Paraguai, no Defensores del Chaco, em Assunção). Gols sofridos: cinco (nunca mais de um por partida).
Nos outros nove jogos sem os dois M, ou com só um deles, três vitórias, dois empates e quatro derrotas, incluindo a sova, 4 a 1, dada pela Argentina, sem Messi, no Monumental, em Buenos Aires. Gols sofridos: 12.
Um com 32 anos (Marquinhos), outro com 28 (Magalhães), são maduros. Seguros. E complementares.
No futebol, diz-se que uma ótima zaga combina um jogador calmo e técnico com outro vigoroso e explosivo. Capitão da seleção, Marquinhos é meticuloso e majestoso, lidera sem se esgoelar. Magalhães, em sua semelhança ao magenta, poderia igualmente capitanear o time, enérgico e vibrante que é.
Os dois são também armas perigosas no ataque, nas bolas paradas. O Arsenal de Magalhães ganhou o Campeonato Inglês depois de jejum de 22 anos com eficácia nos escanteios –e três gols e quatro assistências do brasileiro. Marquinhos, após uma cobrança de córner, já deu vitória no fim do jogo ao Brasil, contra o Peru, em 2023, de cabeça.
Com Marquinhos e Magalhães, o Brasil não deve nada a ninguém quando o assunto é beque bom de bola. Neste sábado (30), contudo, o “e” dará lugar ao “ou”. Será M ou M, posto que eles duelam na final da Champions League, no confronto que encerra a temporada europeia.
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