Grande Pirâmide de Gizé tem estrutura à prova de terremoto – 22/05/2026 – Ciência

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Se existe uma estrutura feita para resistir ao tempo, certamente é a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. E agora pesquisadores descobriram uma das razões para isso: ela foi projetada e erguida com características que a ajudaram a resistir à energia destrutiva de terremotos desde sua construção, há cerca de 4.600 anos, como tumba do faraó Quéops.

Os cientistas avaliaram a dinâmica estrutural da pirâmide usando dispositivos chamados sismômetros para registrar vibrações ambientais —tremores sutis e contínuos de fundo gerados por forças naturais e atividade humana— em 37 pontos dentro e ao redor dela.

Resultado: a pirâmide apresentou uma resposta estrutural homogênea e estável a essas vibrações, apesar de seu tamanho e complexidade. O achado é descrito em um estudo publicado nesta quinta-feira (21) na revista Scientific Reports.

Os quatro lados da pirâmide medem cerca de 230 metros na base cada um. Construída com enormes blocos de calcário, ela ocupa uma área de aproximadamente 5,3 hectares em Gizé, nos arredores da capital Cairo.

Originalmente, a pirâmide tinha 147 metros de altura. A erosão natural ao longo do tempo e a remoção, há séculos, das pedras lisas de revestimento externo para uso como material de construção reduziram sua altura para aproximadamente 138,5 metros. Foi a estrutura mais alta do mundo por aproximadamente 3.800 anos.

Foram identificadas diversas características que conferem à pirâmide resistência a terremotos. Ela possui uma base extremamente ampla com centro de gravidade baixo, geometria altamente simétrica, redução gradual de massa em direção ao topo e um sofisticado projeto interno que inclui câmaras internas que atenuam a amplificação das vibrações. Além disso, foi erguida sobre uma sólida base rochosa de calcário.

“Esses elementos juntos criam uma estrutura bem equilibrada e coerente”, disse o sismólogo Mohamed ElGabry, do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica (NRIAG, na sigla em inglês), no Egito, autor principal do novo estudo.

“Os construtores do Egito Antigo claramente tinham conhecimento prático relacionado à estabilidade, comportamento de fundações, distribuição de massa e transferência de carga”, acrescentou o sismólogo Asem Salama, do NRIAG, coautor do estudo.

Os autores do estudo constataram que a maioria das vibrações registradas dentro da pirâmide apresentou uma frequência que indicava que o estresse mecânico estava distribuído uniformemente por toda a estrutura.

“Então, embora eu hesite em afirmar que projetaram intencionalmente a pirâmide especificamente para resistir a terremotos, acredito que desenvolveram soluções arquitetônicas e geotécnicas que naturalmente produziram estruturas com excepcional resiliência a longo prazo”, afirmou Salama.

Isso foi aprendido ao longo do tempo por tentativa e erro, como demonstram algumas pirâmides com falhas que precederam esta.

Os pesquisadores coletaram dados sísmicos de várias passagens e câmaras construídas dentro da pirâmide, incluindo a sala de sepultamento principal chamada câmara do rei, bem como da rocha matriz e do solo ao redor.

Eles observaram que a amplificação das vibrações aumentou com a elevação dentro da pirâmide, um fenômeno normal para estruturas altas. Mas houve uma redução na amplificação dentro de cinco câmaras especiais construídas acima da câmara do rei, apesar de sua posição mais elevada.

“Isso sugere que essas câmaras ajudam efetivamente a dissipar a energia sísmica e proteger a câmara do rei —uma das áreas mais críticas— de tremores excessivos”, disse ElGabry.

Os terremotos mais recentes na região incluíram eventos notáveis em 1847 e 1992, ambos causando danos severos a milhares de edifícios, sendo que o último matou mais de 560 pessoas. A pirâmide sofreu danos mínimos.

A estrutura faz parte de um grande complexo, ao lado de outras pirâmides e da Grande Esfinge de Gizé.

“A Grande Pirâmide não é apenas uma conquista extraordinária da engenharia, mas também uma obra de arte profunda e de visão humana. Sua simetria perfeita, escala monumental e proporções elegantes criam uma beleza atemporal que continua a inspirar admiração mesmo após 4.600 anos”, afirmou ElGabry.

“Além de sua beleza física, o que mais me impressiona é a incrível gestão de projetos e o domínio organizacional que ela representa”, continuou o sismólogo. “Construir um monumento assim levou em torno de 20 anos e exigiu manter uma visão clara de longo prazo, uma cadeia de suprimentos extremamente complexa e a coordenação de dezenas de milhares de trabalhadores qualificados, engenheiros e administradores.”

Isso teria incluído a gestão de recursos humanos, o treinamento de forças de trabalho especializadas, a garantia de um suprimento contínuo de alimentos para os trabalhadores e a logística para quantidades massivas de pedra.

“Isso nos lembra do que a civilização humana é capaz quando visão, ciência, organização e determinação se unem”, disse ElGabry.

“Eles construíram algo para a eternidade”, acrescentou Salama.



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