Guerra no Irã faz salários encolherem em países ricos – 26/05/2026 – Economia

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Os salários dos trabalhadores estão encolhendo em relação aos preços em um número crescente de países ricos, à medida que o choque energético desencadeado pela guerra no Irã interrompe uma recuperação incipiente dos salários reais.

O aperto sobre os consumidores no Reino Unido, nos Estados Unidos e em outros lugares ocorre enquanto enfrentam aumentos acentuados nos preços da gasolina e das passagens aéreas provocados pelo fechamento do Estreito de Hormuz.

A inflação nos EUA saltou para 3,8% ao ano em abril, enquanto os ganhos médios por hora aumentaram 3,6% no período, o que significa que os preços estavam subindo mais rápido que os rendimentos pela primeira vez em dois anos.

“A guerra está perturbando as cadeias de suprimentos e vai empurrar os preços para cima mais do que antes, mesmo que o estreito fosse reaberto amanhã”, disse Diane Swonk, economista-chefe da KPMG nos EUA.

Os trabalhadores britânicos enfrentam um aperto semelhante. Os rendimentos médios cresceram a um ritmo anual de apenas 0,1% em termos reais nos três meses até março, excluindo bônus, e devem cair de forma absoluta à medida que a inflação sobe nos próximos meses em um cenário de contratações muito fracas.

Na zona do euro, o choque energético representa um novo revés para trabalhadores que tinham acabado de recuperar o terreno perdido no choque inflacionário de 2022.

O freio nos salários reais ocorre enquanto os esforços diplomáticos para encerrar o conflito no Oriente Médio se intensificaram nos últimos dias. Na segunda-feira (25), os principais negociadores do Irã viajaram a Doha enquanto mediadores pressionavam para acertar os detalhes finais de um acordo de paz que envolveria a reabertura gradual do estreito.

Claus Vistesen, da consultoria Pantheon Macroeconomics, disse esperar que o crescimento dos salários reais fique próximo de zero em toda a zona do euro em 2026. Ele afirmou que já poderia estar “profundamente negativo” em países como a França, que não têm espaço fiscal para proteger os consumidores.

O aperto sobre os trabalhadores cria duas preocupações distintas para os formuladores de políticas. Uma é que as famílias reduzam os gastos, agravando o impacto da guerra sobre o crescimento econômico e forçando as empresas a cortar empregos à medida que a demanda desacelera.

A outra possibilidade é que os trabalhadores consigam pressionar por aumentos salariais, alimentando uma inflação persistente mesmo depois que os preços da energia caírem.

Michael Feroli, economista-chefe para os EUA do JPMorgan, disse que a redução dos salários reais “tem tudo a ver com o conflito no Oriente Médio”, então, se o Estreito de Hormuz reabrir e os preços da energia recuarem, “eu esperaria que os salários reais voltassem a crescer”.

Mas Swonk disse que a inflação alta “vai estreitar as margens de lucro e prejudicar as contratações”, acrescentando: “É dessa forma que surtos persistentes de inflação se tornam um problema para o mercado de trabalho“.

No Reino Unido, os trabalhadores já estavam perdendo poder de barganha no início do conflito, com o desemprego em alta e as vagas no menor nível em cinco anos.

O apoio às finanças familiares anunciado pelo governo britânico na semana passada —na forma de cortes de IVA em viagens de verão e refeições fora de casa, além de um adiamento no aumento do imposto sobre combustíveis— foi “não completamente insignificante”, mas não impedirá que o país enfrente seu quarto período de queda nos salários reais desde 2008, disse James Smith, economista-chefe do think tank Resolution Foundation.

Na zona do euro, a remuneração por empregado cresceu quase 2% em 2025, enquanto o desemprego pairava perto de mínimas históricas.

Mas um indicador de salários negociados, acompanhado pelo BCE, sugere que os sindicatos estão tendo dificuldades para garantir termos tão generosos este ano, à medida que os trabalhadores ficam mais preocupados com a segurança no emprego.

Vistesen, da Pantheon Economics, disse que a França enfrenta uma perspectiva particularmente difícil. “A França não está cortando impostos porque não pode se dar a esse luxo… Os consumidores franceses estão realmente sofrendo muito”, afirmou.

Ele traçou um contraste entre a situação deles e a dos consumidores na Alemanha, onde os trabalhadores estão em posição fraca para negociar salários mais altos, mas serão parcialmente protegidos dos aumentos de preços mais imediatos por cortes no imposto sobre combustíveis.

Simon Wells, economista-chefe para a Europa do HSBC, disse que os trabalhadores em alguns países europeus estão mais protegidos contra a alta de preços do que seus equivalentes americanos —apontando para a indexação salarial, maiores reservas de poupança e o generoso apoio fiscal oferecido na Espanha em particular.

Andrew Kenningham, economista-chefe para a Europa da consultoria Capital Economics, disse que, embora o impacto da guerra com o Irã permaneça muito menor do que o choque energético de 2022, agora parece cada vez mais provável que a economia da zona do euro entre em uma recessão leve.

“Quanto maior o impacto na economia, mais lenta será a recuperação dos salários reais”, acrescentou.



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