Kevin Warsh tomou posse nesta sexta-feira (22) como presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) em uma cerimônia na Casa Branca conduzida pelo presidente do país, Donald Trump.
O novo mandatário chega ao cargo com Wall Street apostando que o Fed elevará as taxas de juros até o final deste ano para combater o salto na inflação provocado pela guerra no Irã, contrariando assim as cobranças de Trump por uma queda na taxa.
Embora Warsh tenha dito acreditar que os próximos anos “podem trazer uma prosperidade sem igual que elevará o padrão de vida dos americanos de todas as classes sociais”, o crescimento dos preços ao consumidor está em seu nível mais alto em três anos, superando os aumentos salariais.
As crescentes pressões inflacionárias levaram Wall Street a aumentar suas apostas em uma possível subida de juros. Os operadores do mercado futuro agora precificam integralmente um aumento de 0,25 ponto percentual nas taxas até o final de 2026, uma mudança brusca em relação ao início deste ano, quando os investidores esperavam múltiplos cortes. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%, bem acima da meta de 2%.
Essas expectativas acompanharam os indicadores de inflação do mercado, que sugerem que os investidores acreditam que a taxa de inflação daqui a um ano poderá ser de aproximadamente 4%.
Trump disse a Warsh que ele deveria “fazer do seu jeito” como chefe do Fed, embora tenha criticado repetidamente o seu antecessor Jerome Powell por recusar seus pedidos de custos de empréstimos mais baixos.
O presidente também prometeu que Warsh teria o “total apoio” de sua administração e que queria que ele fosse “totalmente independente” em meio aos receios do mercado de que Trump gostaria de interferir na autarquia.
“Diferentemente de alguns de seus antecessores, Kevin entende que quando a economia está em alta, isso é uma coisa boa. Não precisamos enlouquecer. Apenas deixe crescer”, afirmou o republicano. “Queremos parar a inflação, mas não queremos parar o crescimento”.
Folha Mercado
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Christopher Waller, diretor do Fed e que chegou a ser cotado para o cargo, declarou que concordava com vários outros formuladores de políticas seniores que afirmaram que o Fed deveria abandonar sua “tendência” de flexibilização das taxas.
A ata da reunião de abril, divulgada nesta semana, mostrou que “muitos” dirigentes adotaram essa visão, incluindo os três presidentes regionais do Fed que já haviam discordado da inclusão da tendência de flexibilização e causaram a maior divergência em uma reunião desde 6 de outubro de 1992.
Waller observou, no entanto, que sua visão sobre a tendência de flexibilização não significa “que devemos considerar aumentos de taxas no futuro próximo”. Para que aumentos de taxas aconteçam, as expectativas de inflação precisariam se tornar “desancoradas”, avaliou Waller em evento em Frankfurt, na Alemanha.
O rendimento do Tesouro de dois anos, que se move conforme as expectativas de taxas de juros, subiu ao seu nível mais alto em mais de um ano, avançando até 0,07 ponto percentual para 4,14%.
A primeira oportunidade de Warsh para deixar sua marca na política monetária americana virá em meados de junho, quando ele presidirá pela primeira vez a reunião do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto), que define as taxas de juros, sucedendo Powell.
Steven Blitz, economista da TS Lombard, declarou que Warsh não receberá “nenhuma clemência” dos mercados caso decida não elevar os custos de empréstimos em sua primeira votação de política monetária.
“Deixar de aumentar os juros em junho, mesmo que o crescimento permaneça teimosamente estável e longe de disparar, mas com o risco de inflação ampla em alta, é, na prática, uma flexibilização”, disse Blitz.
Warsh assume o comando do banco central em um momento em que ele enfrenta o desafio mais sério à sua independência na história recente.
Trump entrou em conflito repetidamente com Powell, chamando-o de “cabeça oca” e “idiota” por se recusar a cortar as taxas de juros.
Warsh foi o primeiro presidente desde Alan Greenspan, que comandou o Fed de 1987 a 2006, a tomar posse na Casa Branca. “Pretendo preencher o cargo de presidente com energia e propósito, exatamente como o presidente Greenspan fez”, prometeu Warsh minutos antes de tomar posse.
A cerimônia na opulenta Sala Leste da Casa Branca contou com a presença de vários membros seniores da administração e do Congresso, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o presidente da Câmara, Mike Johnson e o líder da maioria no Senado, John Thune.
Warsh, ex-governador do Fed de 2006 a 2011, conquistou a indicação de Trump em janeiro, quando venceu uma disputa que incluía o economista da Casa Branca Kevin Hassett, Waller e o executivo da BlackRock Rick Rieder.
Warsh, que se torna o 17º presidente do conselho de governadores do banco central americano, foi empossado para um mandato de quatro anos.




