MP-SP apura ligação Banco Master com cemitérios de SP – 24/05/2026 – Mônica Bergamo

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O Ministério Público de São Paulo decidiu anexar a uma investigação já aberta sobre a concessão dos cemitérios municipais uma representação apresentada por vereadores e deputados que pede apuração da relação entre concessionárias e o Banco Master e eventual omissão do setor de fiscalização da prefeitura.

O caso ganhou repercussão após o ministro Flávio Dino apontar, no STF (Supremo Tribunal Federal), indícios de possível interferência do Banco Master na gestão dos serviços funerários paulistanos e cobrar explicações da administração de Ricardo Nunes em São Paulo.

As suspeitas recaem sobre a concessionária Cortel SP, que assumiu parte da administração dos cemitérios públicos após a privatização do serviço promovida pela gestão Nunes em 2023.

A SP Regula identificou que Fabiano Campos Zettel —cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master— integrou o conselho e o quadro societário da Cortel. Já a Maya teria contraído empréstimos milionários com o banco. A prefeitura apura se as empresas atuavam de forma integrada, hipótese negada pelas concessionárias.

No despacho assinado pelo promotor Silvio Antonio Marques, o Ministério Público afirma haver “semelhança” entre a representação, assinada por parlamentares do PSOL, e o inquérito civil já aberto sobre possíveis irregularidades na concessão dos cemitérios municipais.

A representação foi apresentada pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador Celso Giannazi.

Segundo o promotor, há “indícios de possível vínculo” entre a Cortel e o Banco Master, citando a relação familiar entre integrantes das empresas e o uso de endereço eletrônico ligado à instituição financeira para assinatura de documentos da concessionária.

Além da frente aberta no Ministério Público paulista, Luciene Cavalcante protocolou petição no STF pedindo ao ministro André Mendonça a inclusão de Ricardo Nunes no inquérito que investiga o Banco Master.

Procurada, a gestão Nunes afirmou lamentar a “ação puramente ideológica” de Luciene, “sem qualquer indício ou prova, apenas com ilações infundadas para tentar ganhar alguma evidência”. Sobre o promotor, a prefeitura disse que a decisão “não passa de malabarismo para criar mais um factoide já comum à sua atuação no Ministério Público”.

A peça sustenta que novos fatos indicariam “possível conexão” entre o banco, a concessionária Cortel SP e a Prefeitura de São Paulo, responsável pela concessão e fiscalização dos serviços funerários e cemiteriais da capital.

Na petição enviada ao STF, a deputada pede que a Procuradoria-Geral da República apure a atuação da prefeitura e de Ricardo Nunes “quanto à ciência dos fatos, às providências adotadas, à investigação interna mencionada publicamente e à fiscalização do contrato”.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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