Disputar quatro Copas do Mundo é para poucos jogadores. Dentre os brasileiros, eles cabem em duas mãos, e ainda sobra dedo.
Para ir a quatro Mundiais, além de a seleção que defende se classificar, o atleta tem que ser fora da curva: precisa se manter em altíssimo nível físico e técnico, aliando elevada dose de motivação, por no mínimo 13 anos. Não é tarefa banal.
Neymar, 34, ao ser convocado por Carlo Ancelotti para a Copa de EUA, México e Canadá, em junho e julho próximos, vai se tornar o nono brasuca a participar de uma quadra de Mundiais.
Muita gente questiona se ele tem os requisitos necessários para figurar na lista ou se obteve a vaga “pelo nome”, porém é fato que entrará em um clube restrito.
Poderia até ser esta a quinta Copa dele, já que pelo promissor futebol que exibia, ainda teenager e em início de carreira profissional no Santos, teria lugar na seleção brasileira na África do Sul, em 2010. Dunga, o treinador, não quis, preferindo os discutíveis Júlio Baptista e Nilmar.
Será então a quarta, e, entrando em campo –deve entrar, mesmo que comece na reserva–, se tornará, o Brasil falhando na missão de faturar o hexa, o maior perdedor do país em Copas.
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Ficará empatado com Thiago Silva, ainda na ativa aos 41 anos, que teve quatro oportunidades e saiu de cada uma delas com as mãos abanando. Só que o ótimo zagueiro, capitão em três edições (2014, 2018 e 2022), não jogou um único minuto na de 2010. Esquentou o banco o tempo todo –os titulares foram Lúcio e Juan.
Assim, Neymar terá tido, individualmente, presença maior. Consequentemente, será classificado como um fracassado maior.
Os goleiros Castilho e Leão, os laterais Cafu, Nílton Santos e Djalma Santos, o atacante Ronaldo Fenômeno e o Rei Pelé são os demais brasileiros com quatro Copas nas costas.
Pelé, que também por isso é considerado o melhor da história, ganhou três (1958, 1962 e 1970); Ronaldo, Cafu (ambos 1994, como reservas, e 2002), Castilho (1958 e 1962, as duas na reserva de Gylmar), Nílton Santos (titular em 1958 e 1962) e Djalma Santos (titular em 1962 e na final de 1958), duas; Leão, uma (1970, como reserva).
As probabilidades não ajudam Neymar a concretizar seu sonho de ser campeão mundial.
Na estreia de uma Copa do Mundo inchada, o Brasil é uma entre 48 seleções desejosas de inscrever seu nome, seja de forma inédita ou não, na Taça Fifa. Chance de 2%.
Dá para melhorar o cenário tirando os países com chances remotas de sucesso? Dá. Mas, mesmo reduzindo os candidatos a uma lista enxuta, de seis, o Brasil e os cinco à frente no ranking da Fifa (França, Espanha, Argentina, Inglaterra e Portugal), Neymar e companhia ficam com 17% de “odds”. Não superanima.
Futebol é um jogo coletivo, o entendimento é que é necessário um conjunto equilibrado, com individualidades criando desequilíbrio favorável em momentos-chave, para que se colham louros.
Neymar será testado nessas duas frentes: funcionar em grupo na maior parte do tempo e resolver por si, com gols e/ou passes decisivos, na necessidade, no aperto.
É o que torcedores –os que o apoiam, não seus haters– esperam dele.
Ocorrendo, fará gloriosa companhia àqueles com quatro Copas e ao menos uma taça. Do contrário, fará um inglório par com Thiago Silva.
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