Para o rover Perseverance, da Nasa, a missão em Marte tem sido uma maratona. Há mais de cinco anos, o explorador robótico percorre a superfície marciana em busca de sinais de vida antiga, estuda a geologia e o clima do planeta e coleta amostras de rochas para um possível retorno à Terra.
Desde então, o rover de seis rodas percorreu 41,99 km. Isso é pouco menos que a distância oficial de uma maratona, de 42,2 km. O gerente da missão Perseverance, Robert Hogg, diz que essa marca deve ser ultrapassada provavelmente em junho deste ano.
Com o tamanho de um carro, o rover desembarcou por lá em 18 de fevereiro de 2021. Inicialmente, a missão duraria um ano marciano, o equivalente a 687 dias terrestres.
“O rover continua em boas condições, com pelo menos uma década restante em sua fonte de energia. A duração da missão dependerá das escolhas que a Nasa fizer”, afirma Ken Farley, cientista-adjunto do projeto Perseverance no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech).
O Perseverance dispõe de um conjunto de instrumentos científicos. Ele tem operado dentro e ao redor da cratera Jezero, uma área no hemisfério norte marciano que se acredita ter sido inundada por água. A região guarda um antigo depósito sedimentar em forma de leque, onde um rio desaguava em um lago há mais de três bilhões de anos.
Hoje frio e desolado, Marte já teve uma atmosfera mais densa e um clima mais quente, permitindo a existência de água líquida em sua superfície. Os cientistas estão ansiosos para determinar se o planteta já abrigou vida. A água é considerada um ingrediente fundamental para a vida, tornando a cratera Jezero um local ideal para a missão do rover.
No ano passado, a Nasa anunciou a descoberta mais importante do Perseverance até aqui: uma amostra do interior da cratera. Os pesquisadores afirmaram que os minerais detectados podem refletir atividade microbiana antiga, mas também podem ter se formado por processos não biológicos.
“Trabalhos adicionais para avaliar se essas são evidências de vida marciana exigem análises em laboratórios na Terra”, disse Farley. “O Perseverance continuará coletando amostras de rochas com a esperança de que sejam trazidas à Terra por uma futura missão robótica ou tripulada.”
O rover coleciona mais achados: coletou evidências sobre moléculas orgânicas; documentou que a atmosfera marciana é eletricamente ativa, detectando descargas elétricas frequentemente associadas a redemoinhos; e observou uma aurora em luz visível, com o céu brilhando suavemente em verde.
Em seus primeiros anos, o Perseverance registrou o ciclo de vida do lago que preencheu Jezero há cerca de 3,7 bilhões de anos. O lago inicialmente era raso, com sedimentos ricos em sal no fundo da cratera. Depois se aprofundou para pelo menos nove metros, e sedimentos arenosos foram depositados no lago formando um delta, segundo Farley.
“O fato de o rover ter conseguido explorar tanto um sistema de lago e rio quanto a crosta marciana primitiva, separados no tempo por talvez meio bilhão de anos, significa que Jezero continua rendendo cientificamente”, acrescentou o cientista.
Origem da vida?
Atualmente, o rover opera nos arredores da Jezero, examinando rochas antigas. Marte, assim como a Terra, formou-se há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, então essas rochas datariam do início de sua história.
“É importante destacar que esse período de tempo e esse ambiente de superfície são muito provavelmente similares aos da Terra quando a vida se originou. Como as rochas dessa era foram completamente destruídas na Terra, Marte oferece um ambiente análogo fundamental para investigar a química pré-biótica e possivelmente a origem da vida”, afirmou Farley.
A Nasa tem um segundo rover no planeta vermelho: Curiosity, que pousou em 2012 na cratera Gale, logo ao sul do equador marciano. Ele já percorreu 36,91 km.
Por enquanto, o rover com a maior quilometragem na superfície marciana é o Opportunity, também da agência espacial americana, que atingiu 45,16 km durante sua missão de 2004 a 2019.
Em sua bagagem, o Perseverance levou o pequeno helicóptero Ingenuity, que se tornou a primeira aeronave a realizar um voo motorizado e controlado em outro planeta. O aparelho voou com sucesso 72 vezes na atmosfera extremamente rarefeita de Marte, somando 17 km e atingindo altitudes de até 24 metros.




