Após a recusa final do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), o presidente Lula passou a cogitar a candidatura da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) para o Governo de Minas.
O presidente vinha defendendo o nome dela para o Senado, desencorajando quem sugerisse Marília para o Executivo. A própria ex-prefeita já avisou ao PT que não pretende concorrer ao governo, e, sim, ao Senado.
Mas a negativa de Pacheco, somada à falta de solidez de outros palanques considerados pelo partido, levou o presidente a pensar em Marília para a disputa.
Como Marília resiste à proposta, aliados de Lula não descartam a hipótese de ele tentar convencê-la, caso o partido opte por essa saída caseira.
A investida de Lula é vista com ressalvas, uma vez que Marília já está com a candidatura para o Senado organizada. Segundo duas pessoas próximas à ex-prefeita, ela também já afirmou que prefere não ser candidata ao governo mineiro.
Em reunião com a bancada do PT, o presidente do partido, Edinho Silva, apontou como ideal o nome de Marília. Disse, no entanto, que Kalil deveria ser considerado como um bom candidato. Outro nome cotado é o da ex-reitora da UFMG Sandra Goulart.
Lula afirmou nos últimos dias que quer resolver logo a situação de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país.
A pedido do petista, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), conversou com Pacheco na segunda-feira (25). Durante o encontro de quase duas horas, o senador repetiu que não tem interesse em disputar o Governo de Minas Gerais —recado que Alckmin já transmitiu a Lula.
Integrantes do PT de Minas esperavam essa última conversa com Pacheco para tentar avançar com o assunto. A avaliação entre petistas é a de que as negociações no estado acabaram travadas nos últimos meses diante da insistência de Lula na candidatura de Pacheco —mesmo com todos os sinais contrários dados pelo senador nos últimos meses.
Segundo relatos, um apelo foi feito a Edinho Silva na segunda, para que o PT consiga virar a página quanto à candidatura de Pacheco, deixando claro que o senador descarta concorrer e não é mais uma opção.
Parte do PT também defendeu a Edinho a construção de uma candidatura própria. Na visão de uma ala do partido, como a prioridade é garantir palanque para Lula no estado, em vez de efetivamente eleger o próximo governador, é preferível que os esforços sejam dedicados a alguém do PT, em vez do PSB.
Um dos nomes que passou a ser colocado pelo PSB é o do empresário Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, recém-filiado ao partido. Outra opção seria o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares. Ele é próximo de Pacheco e se filiou ao partido junto com o grupo político do senador.
Uma ala do PT também propõe o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) para a disputa. O presidente do PDT, Carlos Lupi, foi acionado para tentar costurar uma solução que viabilize o palanque de Kalil para Lula em Minas.
Integrantes da cúpula petista também procuraram Kalil na semana passada, mas a conversa foi considerada ruim. Embora pedetista, ele tem afirmado que não abrirá seu palanque para presidenciáveis.
Nesta terça, começou a circular no grupo eleitoral do PT um áudio de Kalil em que ele afirma que só subirá em seu palanque quem ele deixar e que ninguém vai empurrá-lo para a vitória ou para a derrota.
Dirigentes do PT argumentam, no entanto, que, diante da polarização, Kalil se virá obrigado a apoiar Lula abertamente. Lembram também a necessidade de uma bancada forte no Senado, sendo Marília uma das favoritas em Minas.
O palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado tampouco está definido, mas o partido encaminhou um acordo de apoio mútuo com o senador Cleitinho, do Republicanos. Cleitinho diz que pretende definir se será mesmo candidato até o mês que vem. O empresário Flávio Roscoe tem sido colocado pelo PL como plano B.



