Fóssil revela ave com penas para dança de acasalamento – 28/05/2026 – Ciência

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As florestas tropicais da Nova Guiné abrigam um dos rituais de acasalamento mais espetaculares do reino animal, com aves-do-paraíso machos exibindo suas plumagens e dançando na esperança de atrair uma fêmea. Mas, como indica um fóssil encontrado na China, esse comportamento em aves pode remontar à Era dos Dinossauros.

Pesquisadores afirmaram que o fóssil, descrito em um artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista PLOS One, pertence à espécie recém-identificada Plumadraco bankoorum. A ave, do tamanho de um pombo, viveu há cerca de 121 milhões de anos.

O fóssil preservou quase toda a plumagem, incluindo penas da cauda que eram duas vezes mais longas que seu corpo. Os cientistas disseram acreditar que o espécime era macho porque hoje penas caudais ornamentais longas estão presentes tipicamente em machos.

Com base no comprimento e na estrutura dessas penas e na anatomia de uma estrutura óssea chamada pigóstilo, que ancorava os músculos que as controlavam, os pesquisadores levantam a hipótese de que um P. bankoorum macho movimentava suas penas da cauda para cima e para baixo em uma exibição para chamar a atenção de uma parceira.

“Com esse espécime, temos um argumento bastante forte de que não apenas os machos provavelmente tentavam atrair as fêmeas com ornamentação de penas, mas o faziam com comprimentos absurdos e provavelmente exibições”, disse o doutorando em biologia evolutiva Alex Clark, na Universidade de Chicago e no Field Museum de Chicago, autor principal da nova pesquisa.

“Isso significa que, há 121 milhões de anos, esse macho de P. bankoorum arrastava uma cauda de penas com o dobro do comprimento do seu corpo, apenas para impressionar potenciais parceiras –algo que vemos hoje em aves modernas também”, disse Clark.

A estrutura do pigóstilo sugere músculos grandes para movimentos de cima para baixo e ausência de músculos para abertura da cauda, segundo a paleontóloga Jingmai O’Connor, do Field Museum, coautora do estudo.

“Eu acho que ele estaria nas árvores quando fazia sua exibição de acasalamento, caso contrário as penas arrastariam no chão e fariam uma exibição muito menos impressionante. Provavelmente era uma combinação de comprimento das penas, habilidade de exibição e qualidade das penas —se estavam danificadas ou não— que levava ao sucesso no acasalamento”, disse O’Connor.

A hipotética dança de acasalamento do P. bankoorum, exibindo suas penas da cauda, pode ter incluído um movimento de subir e descer da cauda ou manter as penas erguidas em uma postura elevada, acrescentou Clark.

A composição química do fóssil indicou que as penas eram marrom-escuras ou pretas, de acordo com os pesquisadores. Mas pode ter havido algumas cores chamativas nas pontas das penas da cauda.

As aves evoluíram de pequenos dinossauros emplumados durante o Período Jurássico. A ave mais antiga conhecida, o Archaeopteryx, data de cerca de 150 milhões de anos atrás. O P. bankoorum, que significa dragão emplumado, viveu quase 30 milhões de anos depois. A espécie compartilhava algumas características com o Archaeopteryx, como uma boca cheia de dentes.

O P. bankoorum pertencia a um grupo diverso de aves que viveu durante a Era dos Dinossauros. Suas penas da cauda, com cerca de 30 cm de comprimento, eram as mais longas em relação ao tamanho do corpo entre todos os integrantes do grupo de aves ao qual pertenciam.

O espécime habitava um ambiente com lagoas, riachos e lagos, vivendo ao lado de outras aves, pterossauros, mamíferos primitivos e vários dinossauros. Os pesquisadores não têm certeza sobre qual seria sua dieta —desconfia-se que ele pode ter se alimentado de frutas e insetos.

O esqueleto do P. bankoorum está preservado com os ossos posicionados como estariam em vida, embora muitos estejam esmagados pelo processo de fossilização.

O fóssil preserva quase toda a cobertura corporal de penas. “O P. bankoorum nos ajuda a entender a função das ‘penas ornamentais'”, afirmou O’Connor.



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