Estudantes da USP em greve decidiram passar a madrugada no saguão da reitoria, invadida nesta quinta-feira (7). A Polícia Militar segue no local.
A reitoria não respondeu a nenhum contato feito por estudantes desde a entrada dos manifestantes. Deputados e vereadores também tentaram falar com o reitor Aluisio Segurado, mas não houve sucesso.
A invasão ocorre na tentativa de convencer Segurado a retomar as negociações para o fim da greve, encerradas unilateralmente pela reitoria no início da semana.
“A nossa ação é um pedido justo e legítimo frente à intransigência da reitoria que unilateralmente fechou a mesa de negociação, sem o acordo não apenas dos negociadores, mas sobretudo da grande maioria dos cursos que seguem em greve em mais de três semanas. O que pedimos não é nada demais: queremos a reabertura da mesa de negociação. A nossa reivindicação é justa e precisa ser atendida”, afirmou em nota o DCE (Diretório Central dos Estudantes).
Em nota, a reitoria da USP disse lamentar profundamente o que chamou de escalada da violência.
“Diante dessa situação, e respaldada juridicamente, a universidade adotou as medidas cabíveis, acionando as forças de segurança pública que, já presentes no local, atuam para evitar a ocupação de outros espaços e prevenir maiores danos patrimoniais. Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos”, afirma a instituição.
Para tentar encerrar a paralisação, em sua terceira semana, Segurado formalizou algumas propostas. Dentre elas, o reajuste dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) pelo índice IPC-FIPE.
Com a correção, o benefício integral passaria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340.
O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil —incluindo bolsas, moradia, restaurantes e saúde— é de R$ 461 milhões.
Os estudantes, porém, pedem que o valor do auxílio chegue a cerca de R$ 1.804 (o salário mínimo paulista).




