O menino Alvaro Cesar Krieck dos Santos, o Vavo, adorava brincar com as panelas e colheres de pau da casa em que morava com os dois irmãos e os pais, em Rio do Sul (SC). O fascínio pela cozinha aumentava na medida em que cresciam os pães que o pai fazia toda semana para a família.
Mas o encantamento maior era ir para a casa da avó Nini, na praia de Perequê, e acompanhar as receitas dela, como cucas e bolinhos de peixe. Sabores e cheiros que Vavo levou para a vida.
Até estudou arquitetura na Bolívia, onde morou por alguns anos. Também teve uma escola de idiomas, nos Estados Unidos, e atuou com audiovisual. Entretanto, foi a gastronomia sua grande paixão.
Formado em administração de recursos humanos, pós-graduado como chef de cuisine nacional e internacional e mestre em biotecnologia industrial, Vavo não só aprendeu como ensinou a arte de cozinhar.
Tornou-se professor na universidade Positivo e na PUCPR, além do Centro Europeu de Curitiba, onde morava. Tinha um canal no YouTube e era referência para alunos e colegas de profissão, pelo conhecimento e pela forma generosa com que ensinava e acolhia. Fazia do aprendizado um espaço de confiança, mostrando que errar também faz parte da construção de qualquer trajetória, como observa o amigo José Ost.
Ele afirma que Vavo impressionava já na primeira conversa, pela alegria, carisma, segurança e tranquilidade de quem sabia o valor humano que carregava. “Tinha a rara capacidade de motivar sem impor, de ensinar sem intimidar. Sua leveza transformava os ambientes.”
Presença importante na formação de muitos alunos, ele foi autor de livro sobre cozinha internacional e coautor de “Segredos dos Chefs”, da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), e “Receitas com Pupunha”, da Embrapa.
Vavo era comprometido com tudo o que fazia e tinha uma forma peculiar de ensinar e conduzir as aulas, transmitindo não só técnica, mas valores, postura profissional e amor pelo ofício, conta o amigo Rogério Gobb. “Era um chefe descolado. Chegava na escola de bike e bermuda, para em seguida se transformar em um chef que todos amavam.”
Entre suas características marcantes estavam a autenticidade, a sensibilidade, o carinho, o cuidado com as pessoas e a generosidade em compartilhar seu saber e experiências, ressalta Gobb.
A irmã, Andrea Roussenq, lembra que Vavo sempre viveu intensamente tudo o que fazia. Era divertido, gostava de fazer piadas e brincadeiras, mas também era firme em seus posicionamentos. “Valorizava o simples, das pessoas à comida.”
Vavo morreu em 11 de abril, aos 53 anos, de infarto. Deixa a mãe, dois irmãos, dois filhos e muitas receitas e gargalhadas eternizadas.



