Como fêmeas de peixe-pescador evoluíram para atrair presas – 20/05/2026 – Ciência

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Quando Alex Maile examinou os potes de peixes-pescadores conservados em álcool no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, nos Estados Unidos, ele se viu fisgado pelas criaturas.

“Pela primeira vez na minha vida, pude ver todos aqueles lindos peixes-pescadores. A primeira coisa que me impressionou foi: por que existe tanta variação nas iscas deles?”, afirmou o biólogo, doutorando na Universidade do Kansas.

Existem mais de 400 espécies na família dos peixes-pescadores. Algumas são como a que ficou famosa em “Procurando Nemo”. As fêmeas podem acasalar a vida toda com machos minúsculos que se prendem ao corpo delas. Outro, o peixe-sapo verrugoso, arrasta-se pelo fundo raso do mar com suas nadadeiras atarracadas.

Muitos dos peixes dessa família, sobretudo as fêmeas, desenvolveram estruturas especializadas que utilizam como iscas para atrair suas presas.

Algumas iscas de peixes-pescadores brilham com bactérias bioluminescentes, enquanto outras se contorcem de forma atraente. Segundo Maile, outros membros da família têm iscas que se estendem como uma espécie de apito, projetando-se do crânio e liberando um jato de substâncias químicas que atraem as presas.

Maile queria saber por que as iscas dos peixes têm tantos tamanhos e formatos e por que elas apresentam diferentes capacidades. Afinal, ele pensou, “por que mudar algo que funciona?”

Para um estudo publicado no fim de março na revista Ichthyology and Herpetology, Maile e o cientista Matthew Davis, da Universidade Estadual de St. Cloud, em Minnesota, examinaram mais de cem espécies de peixes-pescadores em coleções de museus.

Os pesquisadores compararam os corpos preservados dos peixes-pescadores e o DNA das criaturas e, então, desenvolveram uma árvore genealógica abrangente. A genealogia sugere que a variedade de iscas brilhantes pode ter evoluído para que as fêmeas atraíssem não apenas refeições, mas também parceiros.

Os habitats de águas profundas dos peixes-pescadores bioluminescentes tornam difícil observá-los na natureza e quase impossível mantê-los em aquários. “Alguns deles são tão raros que nunca foram vistos vivos”, disse Maile. Contudo, espécimes preservados em coleções de museus proporcionaram aos pesquisadores um vislumbre da diversidade dos peixes-pescadores.

As iscas dos peixes-pescadores forneceram algumas das evidências mais importantes para a árvore genealógica feita pelos pesquisadores, segundo Maile.

Fósseis de peixes-pescadores ajudaram a equipe a calibrar a árvore genealógica ao fornecer evidências de quando diferentes características surgiram.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que os primeiros peixes-pescadores com iscas evoluíram há 72 milhões de anos. As iscas desses espécimes primitivos provavelmente não emitiam luz. Porém, cerca de 40 milhões de anos depois, surgiram várias espécies que provavelmente eram bioluminescentes. Essa tendência evolutiva continuou.

Maile disse que a análise mostrou que os grupos bioluminescentes estão se diversificando em um ritmo mais acelerado em comparação com os não bioluminescentes. Esse fenômeno sugere que as iscas luminosas dos peixes podem estar ligadas à forma como membros de diferentes espécies se distinguem uns dos outros e encontram parceiros para acasalamento.

No habitat da maioria dos peixes-pescadores luminosos, a milhares de metros abaixo da superfície do oceano, a água é escura e gélida, e a comida, escassa. Quando uma fêmea acende sua isca, ela pode estar sinalizando para os machos, que são muito menores, porém têm olhos desproporcionalmente grandes, preparados para enxergar através da escuridão.

“Você precisa comer e precisa procriar”, disse Tracey Sutton, professor do Centro de Pesquisa Oceanográfica Guy Harvey da Universidade Nova Southeastern, na Flórida, que não participou do estudo. A evolução de iscas luminosas capazes de atrair tanto presas quanto parceiros “é realmente uma solução elegante para esses dois problemas”, acrescentou ele.

Sutton afirmou que, ao estabelecerem uma árvore genealógica robusta dos peixes-pescadores, os autores do estudo prepararam o terreno para futuras pesquisas sobre por que essas criaturas evoluíram da forma como evoluíram.

“Por que existem tantos desse tipo de peixe vivendo no que alguns diriam ser o ambiente mais hostil da Terra?”, questiona Sutton. “É completamente escuro, frio, com pouca comida. É difícil imaginar um lugar pior para viver. E, ainda assim, esse grupo de peixes prospera nele como nenhum outro.”



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