O governo de Donald Trump planeja enviar ao Quênia cidadãos americanos expostos ao vírus ebola. A medida prevê observação e tratamento no país africano, e não nos Estados Unidos, segundo três pessoas com conhecimento do plano ouvidas pelo The New York Times.
A medida marca uma mudança em relação à resposta adotada pelos EUA em surtos anteriores, quando profissionais de saúde e outros cidadãos americanos expostos ao vírus eram levados ao país para tratamento em unidades médicas especializadas.
Neste mês, o governo Trump transferiu um médico americano com sintomas da doença para um hospital na Alemanha e levou outros seis cidadãos dos EUA para monitoramento na Alemanha e na República Tcheca.
O surto de ebola na República Democrática do Congo já registra mais de mil casos e 200 mortes, segundo estimativas divulgadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
O avanço da doença ocorre em meio a cortes de ajuda promovidos pelo governo Trump, que afetaram redes de vigilância epidemiológica e cadeias de suprimentos médicos usadas para detectar e conter surtos.
Na semana passada, o governo Trump acionou restrições à entrada nos EUA de imigrantes e residentes permanentes legais que tenham estado na República Democrática do Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul nos 21 dias anteriores.
Segundo duas pessoas com conhecimento do plano, o novo modelo também prevê que cidadãos americanos potencialmente expostos ao ebola permaneçam fora dos Estados Unidos. As fontes falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a discutir o tema publicamente.
De acordo com uma das pessoas ouvidas, que é integrante do governo Trump, uma instalação está sendo montada no Quênia em ação coordenada pelos departamentos de Estado e Defesa e pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos para quarentena e eventual tratamento de cidadãos americanos.
A Casa Branca foi procurada pelo New York Times, mas não quis comentar a medida.
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O ebola tem taxa de mortalidade estimada em cerca de 50%, mas o acesso precoce a atendimento e tratamento especializados pode elevar significativamente as chances de sobrevivência.
Nesta quarta-feira (27) a OMS disse, porém, que a taxa de letalidade do atual surto de ebola na República Democrática do Congo está abaixo de 25%, percentual inferior ao observado em epidemias anteriores da doença no país.
O surto está concentrado na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, região marcada por conflitos armados e intensa circulação populacional, fatores que dificultam o controle da doença. Diante do avanço da epidemia, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional.




